Formigamento, perda de força, fadiga, alteração na visão ou no equilíbrio, problemas urinários. Sintomas que podem passar despercebidos ou serem confundidos com outros problemas de saúde. Em alguns casos, podem ser sinais de esclerose múltipla.

Crônica, autoimune e rara, a doença afeta o sistema nervoso central e compromete a mielina, uma espécie de capa de gordura que protege os neurônios e ajuda a transmitir informações para todo o corpo.
Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla. As mulheres entre 20 e 40 anos são as mais afetadas. E quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução e preservar a qualidade de vida.
Esse o principal alerta do Agosto Laranja, mês de sensibilização sobre a esclerose múltipla, que termina neste 30 de agosto, Dia Nacional de Conscientização sobre a doença. O neurologista e neuroimunologista Flávio Vieira explica a importância do diagnóstico precoce:
“Faz toda a diferença na vida de um paciente receber um diagnóstico precoce de esclerose múltipla. Nós tivemos uma atualização em 2024, dos critérios diagnósticos, mas isso é para aumentar a sensibilidade, ou seja, para aumentar o número de pacientes que são diagnosticados com esclerose múltipla.”
Reconhecer a esclerose múltipla nem sempre é simples. Os sintomas variam de uma pessoa para outra e podem ser confundidos com problemas como ansiedade ou até um AVC. No caso da esclerose múltipla, uma característica importante é a evolução dos sintomas ao longo do tempo.
“Principalmente as mulheres jovens sofrem com isso, né? Ah, não, é só ansiedade, volta para sua casa e tudo. Então, as pessoas têm que ter uma clareza sobre sintomas. A gente tem que entender em primeiro momento que o sintoma não é súbito, é um sintoma que vai progredindo ao longo dos dias, ele tem que durar mais do que 24 horas.”
Nem sempre é um sintoma novo que chama a atenção. Às vezes, é a investigação de algo que a pessoa já convive que dá a dica. Foi o que aconteceu com Valéria Costa.
“Há 2 anos, eu senti uma dor de cabeça muito forte, mas muito forte mesmo. Eu sempre tive enxaqueca, mas não nessa intensidade.”
Ao investigar as dores de cabeça, Valéria passou por uma ressonância magnética. Foi quando veio o diagnóstico de esclerose múltipla. Casos como o dela, que descobriu a doença logo no início, quase por acaso, não representam a maioria. Mas reforçam a efetividade do tratamento rápido. Em dois anos, ela não apresentou sintomas e leva uma vida normal.
“A esclerose múltipla, na sua grande maioria, ela funciona em surto e remissão. Ou seja, tem um sintoma, melhora. Pode ficar uma sequela ali. Depois tem outro sintoma, melhora. Quem tem acesso a boas terapias na forma remitente-recorrente, que é a maioria dos casos, tem a mesma qualidade de vida e expectativa de vida de uma pessoa que não tem a doença.”
Ainda não é possível identificar o que provoca o desenvolvimento da doença. Ela não é genética, nem hereditária. O que se percebe é que alguns fatores de risco aparecem com frequência entre os diagnosticados, como deficiência de vitamina D, baixa exposição solar, tabagismo, obesidade, sedentarismo e contato com o vírus Epstein-Barr. Esse último, inclusive, é um critério controverso. O neurologista Flávio Vieira conta o porquê.
“100% dos pacientes que tem esclerose múltipla já tiveram contato em algum momento com o Epstein-Barr. Isso significa que todo mundo que teve contato com o Epstein-Barr vai ter esclerose múltipla? Claro que não, até porque no Ocidente a grande maioria das pessoas, se não teve, vai ter contato em algum momento com o Epstein-Barr. Ele é sim, talvez, um pilar fundamental no desenvolvimento, mas nós temos que entender que 80 a 90% das pessoas vão ter o contato e a esclerose múltipla é considerada uma doença rara, é uma incidência muito baixa. Então, claramente, não é todo mundo que tem esse contato e muito menos a esclerose múltipla é contagiosa.”
O diagnóstico pode assustar. Com acompanhamento médico e tratamento adequado, no entanto, a esclerose múltipla não precisa significar abrir mão dos planos, da rotina ou da qualidade de vida. Valéria é um exemplo disso:
“E eu tenho uma vida normal, uma vida totalmente normal. Eu não penso no assunto. E eu falo para qualquer pessoa que tenha o diagnóstico, a primeira coisa não entrar em pânico, né? Presta atenção no seu corpo porque ele fala com você. A gente às vezes tem que parar, respirar e pensar: caramba, tem alguma coisa que não tá muito legal aqui. E o diagnóstico é melhor antecipar, porque se você antecipa, você tem a probabilidade de uma cura ou de um tratamento que você não fique tão ruim depois, entendeu?”
Com informações da Radioagência Nacional








