Tony Medeiros relembra trajetória no Boi Garantido e destaca papel da cultura na formação da identidade amazonense

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O ex-amo do Boi Garantido e pré-candidato a deputado estadual, Tony Medeiros, relembrou momentos marcantes da trajetória no Festival de Parintins durante entrevista concedida ao portal A Crítica, nesta semana. Reconhecido como uma das vozes históricas do bumbá vermelho e branco, Tony destacou episódios que marcaram a evolução cultural do espetáculo ao longo das últimas décadas.

Durante a entrevista, Tony recordou a participação no centenário do Boi Garantido, em 2013, além de um momento simbólico da carreira em 1998, quando deixou de atuar como amo do boi por estar em Paris representando a cultura regional nas comemorações dos 500 anos do Brasil.

Ligado à arte desde a infância, Tony contou que o primeiro contato com a música aconteceu ainda na escola, ao transformar em canções poemas presentes nos livros didáticos. O primeiro poema musicado, segundo ele, foi do escritor Olavo Bilac.

Ao falar sobre o Festival de Parintins, Tony Medeiros ressaltou a importância da geração responsável por consolidar o espetáculo como uma das maiores manifestações culturais do país. “Nós pegamos o boi das mãos do seu Lindolfo Monteverde. O boi se construiu por muitas contribuições ao longo do tempo e continua sendo uma manifestação viva da identidade cultural do povo amazonense”, afirmou.

Tony também destacou o papel dos jovens na preservação da tradição cultural e a influência do boi-bumbá dentro das escolas e festas juninas. “O boi abre portas para a cultura. Toda festa junina tem um boizinho nas escolas e isso aproxima crianças e jovens das nossas tradições e da nossa identidade cultural”, destacou.

Durante a conversa, o ex-amo relembrou ainda contribuições artísticas para a modernização do espetáculo, como a introdução da temática indígena no Festival de Parintins e mudanças na construção rítmica das apresentações. “Sempre fui apaixonado pela causa indígena. O boi recebeu influências dos povos indígenas e negros e vive um processo permanente de evolução cultural”, ressaltou.

Tony Medeiros também anunciou o lançamento do livro “Bois de Parintins, uma história mal contada”, previsto para o mês de junho, antes do Festival de Parintins. A obra reúne mais de 30 anos de pesquisas sobre a origem do boi-bumbá, suas influências europeias e o processo de formação cultural da manifestação popular na Amazônia.

Além da atuação cultural, Tony Medeiros também falou sobre a relação com a política e a defesa de políticas públicas voltadas à cultura e ao desenvolvimento social. “Eu sempre gostei de políticas públicas e por isso fui para a política partidária. Fui candidato pela primeira vez aos 18 anos, já fui deputado, vice-prefeito e secretário. Toda pessoa que se envolve em órgão público tem que ter orgulho de ser fiscalizada. Quem não deve, não teme”, afirmou.

Ao longo da entrevista, Tony relembrou nomes importantes que fizeram parte da história do festival, como David Assayag, Edilson Santana, Arlindo Júnior, Zezinho Corrêa, Chico da Silva, Emerson Maia, Sidney Rezende e Paulinho Faria.

Com trajetória marcada pela defesa da cultura popular amazonense, Tony Medeiros segue participando ativamente dos debates sobre identidade cultural, tradição, valorização das manifestações populares e fortalecimento de políticas públicas para o Amazonas.

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