A defesa de Ademar Cardoso, Cleusimar Cardoso e Verônica Seixas informou que irá recorrer da sentença proferida pelo Juízo competente e sustenta que a decisão será levada ao Tribunal diante da existência de fundamentos jurídicos que, segundo os advogados, justificam sua revisão. Assinada pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros, do escritório Ferreira Advocacia, a nota reafirma o respeito às instituições e ao Poder Judiciário, mas destaca que a sentença não refletiu a correta valoração das provas produzidas nos autos.
Além dos argumentos que serão apresentados no recurso de apelação, a defesa afirma que um parecer técnico elaborado sobre os elementos de prova da Operação Mandrágora identificou falhas relevantes na condução da investigação. Entre os apontamentos estão o descumprimento da cadeia formal de custódia de aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos, sem apresentação de termos individuais de lacração, registros fotográficos, documentos de abertura dos invólucros, identificação dos responsáveis pela guarda dos materiais e, em alguns casos, sem laudos periciais correspondentes.
O documento também aponta irregularidades nos exames toxicológicos realizados durante a investigação. Segundo a análise técnica apresentada pela defesa, não houve registro formal da apresentação do material biológico, identificação da coleta, comprovação da lacração das amostras, registros fotográficos nem documentação que demonstre a cadeia de guarda do material entre a coleta e a realização das perícias laboratoriais.
Ainda de acordo com o parecer, os exames realizados nos medicamentos apreendidos também apresentariam inconsistências relacionadas à cadeia de custódia, incluindo divergências sobre a forma de coleta, ausência de termos de lacração individual, registros fotográficos e documentação referente à abertura dos invólucros para realização dos exames. Para a defesa, as falhas comprometem a confiabilidade dos elementos probatórios e serão objeto de análise no recurso que será submetido ao Tribunal.
Os advogados reiteram a confiança no sistema de Justiça e no direito constitucional ao duplo grau de jurisdição, destacando que todas as teses defensivas serão apresentadas exclusivamente nos autos. A defesa informou, ainda, que não fará manifestações públicas sobre o mérito do recurso neste momento, preservando a discussão para a esfera judicial.
Setenças
A Justiça do Amazonas condenou sete pessoas entre elas estão Cleusimar, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, e Ademar, irmão dela. As penas variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão. A senteça foi proferida no último dia 22.
De acordo com a sentença, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar indiscriminadamente a cetamina, substância de uso veterinário com efeito alucinógeno. Após a análise das provas periciais, a Justiça concluiu que havia elementos suficientes para confirmar a existência dos crimes e a participação dos condenados.








